Margem de Lucro ou Retorno sobre Investimento?

Entre os índices de rentabilidade relacionados ao mundo dos negócios, provavelmente o Retorno sobre o Investimento – em inglês, ‘return on equity – ROE’ ou ROI – seja o que os investidores costumam mais comumente olhar, ao avaliar a possibilidade de dar sequência ao processo de investimento e quando olham um negócio ou até mesmo marcam seus preços sobre determinados produtos, como se fosse um parâmetro que serve para analisar o retorno sobre qualquer tipo de aplicação de capital investido.

Entretanto, analisar um negócio somente por tal prisma, pode ser um complicador para entender os resultados e compreender o que deve ser reparado para melhoria dos resultados.

Assim sendo, o objetivo dessa informação é apresentar outro índice de rentabilidade em uma empresa, que seja mais adequado a atividades comerciais e industriais, bem como instruir quanto à utilização do ROI. Caso haja dúvida(s), peço-lhe a gentileza de apontá-la(s) no comentário final.

 

Vamos então entender o cálculo do ROI.

Basicamente, O cálculo do Retorno sobre Investimento é feito com base no valor que você investe, em relação ao quanto você tem expectativa de receber após a precificação. Preste bem atenção, eu falei expectativa! A realidade precisa ser acompanhada com dados detalhados!

Um exemplo:  O comerciante investiu R$ 1.000 em mercadorias e pretende vender por 2,5x o preço de aquisição. Obviamente, o valor de retorno esperado é de R$ 2.500. No entanto, subtraindo o valor investido – R$1.000 –  O retorno menos o investimento será igual a R$ 1.500. Logo, 1500/1000 é igual a 1,5 ou 150% de retorno. O cálculo do ROI é simples. Inicialmente subtrai-se o ganho obtido com o investimento pelo próprio valor investido, e, em seguida, divide-se esse resultado por esse mesmo valor de investimento. Com isso, a fórmula fica da seguinte maneira:

ROI = (Ganho bruto – Investimento) / Investimento

Agora é a vez de explicar a

 

Margem de Lucro ou Margem Bruta*. Mais adequada para o comércio.

Ela deve ser calculada com base no quanto você vendeu em determinado período, versus o que você investiu diretamente no produto, para encontrar o valor das suas vendas. Aqui já consideraremos o tempo no processo, o que enriquece a análise. Utilizando os mesmos valores do exemplo acima, supomos que o comerciante comprou R$ 1.000 e vendeu tudo no mesmo mês por R$ 2.500.  O lucro será a subtração entre o que ele comprou e vendeu, neste caso, R$ 1.500.  E a margem do lucro será de 60% do faturamento (divisão de 1500/2500). Com isso, a fórmula fica da seguinte maneira:

ML = Lucro / Faturamento Bruto

Qual procedimento melhor avaliado?

Respondo: os dois! No entanto, o empresário quer ter um maior controle do desempenho da lucratividade, para saber o quanto ganha conforme fatura determinado valor. Nesse caso, tem que analisar a MARGEM DE LUCRO e falar que seu produto lucra 60% antes das despesas fixas. Quando no primeiro exemplo apresentou-se um percentual de 150% de retorno, desprezou-se alguns fatores que vão impactar na previsão real do lucro, como:

– Um negócio é feito de várias compras e várias vendas em períodos diversos. Não dá para acompanhar como apenas um investimento e um retorno. Além disso, é essencial que o negócio tenha continuidade de ciclos de compra e venda. Não é um investimento financeiro para se tratar apenas de retorno.

– O negócio ou comércio pode não vender toda a mercadoria no mês. Então por mais que seja multiplicado o preço do custo para formar o novo preço, terá que se multiplicar também o percentual de venda do estoque em relação ao total, para achar o retorno real.

Deste modo, torna-se muito mais simples acompanhar sua performance pelo acompanhamento da Margem de Lucro. Veja os motivos:

– Considera a separação de sua performance através do tempo, uma vez que foca no faturamento e diz o qual percentual lhe pertence após os custos com o fornecedor.

– Traz um acompanhamento de performance constante e um comparativo de resultados por período através da DRE. Afinal, você vai comprar várias remessas de produto para ter um investimento, e não uma só vez. E esses produtos irão vender vários meses.

– Quando você passa a acompanhar suas vendas através de um demonstrativo de resultado, assim podendo acompanhar o faturamento, o custo de aquisição da mercadoria e todas as demais despesas, que a maioria das vezes não tem uma relação direta com seu volume de venda, você passa a conhecer melhor como o lucro é formado e sabe onde agir para melhorá-lo.

Agora sim, quando você tiver o conhecimento da margem de lucro de seu negócio e após conhecer todas as variáveis que formam essa margem, você também pode considerar calcular o:

 

Retorno sobre o Investimento: Lucro / Investimento.

Conclusão, é muito melhor você saber a margem de lucro de quanto fatura, tanto para definir um pró-labore para você consciente com o crescimento de sua atividade; quanto também para acompanhar melhorias e aperfeiçoamentos feitos em sua atividade operacional.

Após saber o lucro, veja o quanto isso representa de seu investimento e sempre fique de olho no mercado com relação aos retornos que estão sendo obtidos em outras atividades.

Deixarei para outro post sobre em que tipo de atividade deve-se utilizar o Retorno de forma mais adequada. Outro tema a discutir será a Diferença entre Margem Líquida (Margem de Lucro) e Margem Bruta. Não podendo deixar de lado o tema Fluxo de Caixa, afinal você vende e precisa  receber em um prazo que seu negócio prospere.

Nesse curso você irá aprender com muito mais detalhe e exemplos o que foi explicado nesse tema, além de obter materiais para praticar e poder estimar melhor sua atividade, além do contato permanente com a minha pessoa. Ou seja, com o curso você dará um passo para colocar em prática tudo que leu agora e farei questão que você entenda tudo.

Vale informar, que esses dados servem para qualquer atividade, seja indústria, comércio, serviços ou investimentos em negócios com terceiros.

Até a próxima!

*O conceito Margem Bruta foi utilizado neste texto porque, no caso, consideramos somente os custos diretos, que é o preço de aquisição dos produtos com os fornecedores. Quando retirarmos os custos fixos como: aluguel, folha de pagamento e etc., consideraremos então como margem líquida.

Autor: Ticiano Batista Neves

Ticiano é idealizador e criador do Criativo Cursos, formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia, é especializado em análise para investimento em ações, contabilidade para fins decisórios, analisa empresas que vendem ações e investe em ações e negócios próprios. Tem também experiência em setor contábil e fiscal de empresas de médio e pequeno porte, presta consultorias para empresas, é empreendedor e ama compartilhar o que sabe.

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